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   Federação Nacional da Imprensa (Fenai) - Federação das Associações de Imprensa do Brasil  (Faibra) - Fundada em 1939 pelo jornalista Edgard Leuenroth (1881-1968)  

Federação Nacional da Imprensa

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Edgard Leuenroth

O Fundador

Faibra/Fenai – Federação das Associações de Imprensa do Brasil foi fundada em 1939 pelo jornalista Edgard Leuenroth, que também fundou anos antes, em 1933, a Associação Paulista de Imprensa.

Edgard Leuenroth (1881 - 1968)

Percebendo a importância da conscientização dos trabalhadores e das associações de classes, Edgard Leuenroth fundou, na condição de operário e jornalista, várias associações sindicais, entre elas: o Centro Typográphico de São Paulo (1903), posteriormente União dos Trabalhadores Gráficos (1904 e 1919); Associação Paulista de Imprensa (1933); Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (1937); Associação Paulista de Propaganda (1937);  Federação das Associações de Imprensa do Brasil (1939). Participou ainda da União dos Trabalhadores Graphicos, RJ (1907);  União Graphica, SP (1912); Syndicato Graphico do Brasil, SP (1916); Associação Brasileira de Imprensa, RJ (1920) e Cooperativa Gráfica.

Toda a imprensa o considera um sonhador, um utopista, desses que põem toda a sua alma na propaganda das idéias que um dia irão dominar o mundo inteiro. (O Estado de São Paulo, 9 de janeiro de 1918).

Nascido em 1881, na cidade de Mogi-Mirim, Edgard Frederico Leuenroth era filho de Waldemar Eugenio Leuenroth(1) e de Amélia de Oliveira Brito Leuenroth(2). Quando contava com cinco anos de idade mudou-se para São Paulo, em companhia da mãe, à época viúva, e dos irmãos. Aos 10 anos de idade, Edgard Leuenroth abandonou os estudos e empregou-se como menino de escritório para limpeza e recados. 

Posteriormente, foi trabalhar como caixeiro em uma loja de fazenda. Seu primeiro emprego como tipógrafo foi nas Oficinas da Companhia Industrial, onde aprendeu o ofício. No ano de 1897, ingressou nos quadros do jornal O Commercio de São Paulo, onde exerceu a função de tipógrafo por doze anos. Em 1897, ao lado de Cruz, fundou um jornal crítico e literário, de periodicidade quinzenal, denominado O Boi. O título do periódico seria obra ao acaso, vez que ao comprar a velha tipografia viera junto com os materiais um clichê com os dizeres O Boi. Este jornal, publicado até 1898, deu origem à Folha do Braz, em 1899, órgão defensor dos direitos dos moradores daquele bairro. Colaborou nesta Folha até 1901 e no O Alfa, de Rio Claro, no ano de 1903.

Interessou-se pelo socialismo pelos idos de 1903 e começou a freqüentar as reuniões do Círculo Socialista. No ano seguinte o poeta Ricardo Gonçalves atrairia-o para o movimento anarquista, do qual jamais se afastaria. Percebendo a importância da conscientização e da associação de classe, fundou, na condição de operário tipógrafo, o Centro Typográphico de São Paulo. No ano seguinte, já em plena militância anarquista, participou da transformação deste Centro em União dos Trabalhadores Gráficos, posteriormente Sindicato dos Gráficos, ocasião em que fundou e colaborou com o jornal O Trabalhador Gráfico.

Mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro em 1905. Nesta cidade, trabalhou como tipógrafo no jornal Imprensa e no periódico português Portugal Moderno. Neste mesmo ano, em São Paulo, colaborou com o jornal libertário A Terra Livre, ocasião em que conheceu o anarquista português Neno Vasco (Dr. Gregório Nanzianzeno Queiroz de Vasconcellos), que o ajudou a melhorar seus conhecimentos de língua portuguesa e a aprofundar questões sobre o socialismo. No ano de 1906, participou do Primeiro Congresso Operário Brasileiro, cuja principal reivindicação era a jornada diária de oito horas de trabalho. Foi ainda redator do jornal A Lucta Proletária, órgão da Federação Operária de São Paulo, importante periódico para a deflagração da greve da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

No ano de 1908, Edgard Leuenroth fundou e dirigiu a Folha do Povo. No ano seguinte, assumiu a direção do jornal liberal e anticlerical A Lanterna, fundado pelo Dr. Benjamin Motta no ano de 1901(3). À frente deste periódico, Leuenroth e outros jornalistas libertários denunciaram, no ano de 1912, os crimes supostamente cometidos pelo padre Faustino Consoni – violação sexual, de uma criança recém chegada ao Orfanato São Cristóvão, seguido de morte. O caso ficou conhecido como O Caso Idalina(4). Em uma das manifestações populares convocada pelos anarquistas contra a Igreja Católica, Leuenroth foi preso e logo liberto pelo escritor e advogado Evaristo de Morais, profissional que sempre se posicionou ao lado da causa operária. Há registro de que à época Leuenroth encontrava-se casado e com quatro filhos(5).

Ainda neste ano, fundou e dirigiu o jornal A Guerra Social. No ano de 1913 participou, como representante do jornal A Lanterna, do Segundo Congresso Operário Brasileiro, realizado no Rio de Janeiro. Seu irmão, João Leuenroth, então morador daquela localidade, participou como tesoureiro da Comissão Executiva da Confederação Operária Brasileira.

No ano de 1915 o periódico A Lanterna deixa de ser publicado. Leuenroth passou a colaborar ativamente com o jornal O Combate e no ano seguinte, empregou-se também na redação do A Capital. Quase dois anos depois, saiu deste jornal e fundou A Plebe. Neste ínterim, foi redator-secretário da revista Eclectica, em São Paulo.

Pelas colunas do semanário A Plebe podemos dizer que Leuenroth teve participação efetiva na Greve Geral de 1917. Foi nesse ano que os movimentos grevistas operários paulistanos chegaram a seu clímax. Sucederam-se greves parciais por aumento de salários, com comícios e piquetes. Em 9 de julho, numa carga de cavalaria contra os operários, é morto pela polícia o jovem anarquista José Martinez. No dia seguinte, às sete horas da manhã, verdadeira multidão acompanhou o enterro, do Brás até o cemitério do Araçá, passando pelo centro da cidade. Os tecelões do Cotonifício Crespi, na Mooca, dão início ao surto grevista, que iria se alastrar por outras fábricas e outros bairros. No dia 12, há mais de 70 mil trabalhadores em greve. Ocorrem saques a armazéns. Bondes e outros veículos são incendiados. Dirige a luta o Comitê de Defesa Proletária, a cuja frente está Edgard Leuenroth(6). Considerado mentor psico-intelectual do movimento grevista, foi novamente preso. Seu processo foi diversas vezes adiado e isso arrancou ardorosos protestos da imprensa anarquista, que denunciava os atrasos e a má vontade do governo com o caso Leuenroth.

Leuenroth ainda encontrava-se na prisão, no início de 1918, quando seus amigos cogitaram lançar sua candidatura para deputado. Da cadeia pública de São Paulo escreveu um artigo agradecendo a deferência, e mesmo considerando a candidatura como protesto, não poderia aceitá-la, pois permaneceria fiel a seus ideais anarquistas e não compactuaria com o Estado nem para fazer protesto. Ainda neste ano, Leuenroth, liberto, participou do I Congresso Brasileiro de Jornalistas no Rio de Janeiro.

Após a Revolução ocorrida na Rússia em 1917, os socialistas e anarquistas brasileiros foram tomados de intenso entusiasmo. Havia uma certa expectativa que outras revoluções sociais ocorressem em diversos países, inclusive no Brasil. Objetivando preparar esta revolução, foi fundado, em 9 de março de 1919, no Rio de Janeiro, o Partido Comunista do Rio de Janeiro (libertário), que agregava anarquistas, socialistas e todos aqueles que aceitassem o comunismo social. Este partido foi o responsável pela organização do comício monstro no 1º de maio daquele ano.

Em São Paulo, o Partido Comunista do Rio de Janeiro fez-se presente nas comemorações do Dia do Trabalho, representado por Manuel Campos, delegado do Partido Comunista do Brasil. Discursaram ainda Florentino Carvalho, Antonio Candeias Duarte (Hélio Negro) e Edgard Leuenroth. Neste mesmo mês Edgard Leuenroth e Hélio Negro redigiram às pressas um pequeno livreto O Que é Maximismo ou Bolchevismo: programa comunista.

Em 16 de junho foi criado o Partido Comunista de São Paulo, numa reunião na sede de A Internacional. Foi convocada então a Primeira Conferência Comunista do Brasil, que realizou-se no Rio de Janeiro, de 21 a 23 de junho de 1919, inicialmente no Centro Cosmopolita, posteriormente, em Niterói, já que a polícia impediu a realização do evento naquele local. Na conferência foram distribuídos o programa, organizado por José Oiticica e o livreto de Leuenroth e Hélio Negro. O núcleo paulista do Partido Comunista ficaria encarregado de elaborar o programa do partido. Houve algumas sessões noticiadas por A Plebe e em agosto saiu neste mesmo jornal a publicação do projeto de programa do núcleo de São Paulo. O jornal oficial do partido seria fundado pouco depois, o Spartacus, contando com a participação de Edgard Leuenroth, José Oiticica, Octávio Brandão e Astrojildo Pereira(7).

Nas primeiras décadas do século XX, as idéias anarquistas eram bem aceitas no movimento operário, principalmente entre os trabalhadores de origem estrangeira. Leuenroth, um de seus principais líderes, participava ativamente escrevendo artigos de apoio aos movimentos grevistas, fazendo discursos inflamados e, muitas vezes, liderando protestos. O movimento grevista que estourou em 1919 e teve o seu desfecho no ano seguinte foi desdobramento do que ficara mal resolvido em 1917. Data também de 1919 o empastelamento do A Plebe pelos alunos da Faculdade de Direito de São Paulo. Insatisfeitos com os artigos publicados por este jornal criticando suas posturas ao substituírem os motorneiros e cobradores de bondes que estavam em greve, partiram para a destruição, não só da gráfica do jornal, bem como da redação, localizada em outro ponto da cidade, diante da omissão da polícia que foi ao local no momento da ação e nada fez para impedir a depredação.

Em 23 de abril de 1920 teve início o Terceiro Congresso Operário Brasileiro, que contou com a ativa participação de Leuenroth. Neste Congresso foi votado apenas moção pela criação da Internacional Comunista Soviética, e não adesão dos operários brasileiros à este órgão. Nomeou-se ainda uma Comissão Executiva do Terceiro Congresso (CETC), com mandato até o próximo Congresso Operário Brasileiro, que realizar-se-ia em 1921, para coordenar as atividades de execução das resoluções tomadas. O Rio de Janeiro tornou sede do Secretariado-Geral, e Edgard Leuenroth, seu secretário. Em novembro de 1920, Leuenroth solicitou afastamento de suas funções para tratamento de saúde. Enquanto era obrigado a ausentar-se de São Paulo para um repouso médico em Teresópolis, estado do Rio de Janeiro, aproveitara a ocasião para colaborar com o jornal A Voz do Povo.

Antes de regressar de Teresópolis, Edgard Leuenroth passou por Juiz de Fora, Minas Gerais, onde realizou palestra na Federação Operária Mineira. De volta à São Paulo, associou-se à Cooperativa Gráfica fundada por João da Costa Pimenta, que, sem se abater com a dissolução da Voz do Povo (em fins de 1920), havia iniciado a publicação de outro periódico anarquista: A Vanguarda. Nesta ocasião, a imprensa libertária encontrava-se em franco declínio e boa parte dos jornais lutavam com grandes dificuldades para sobreviver. Com o surgimento do periódico A Vanguarda, A Plebe viu-se prejudicada em suas vendagens. Cinco meses depois, viu-se obrigada a reduzir sua periodicidade. Seguiram-se três meses de silêncio (8).

Em julho de 1921, A Vanguarda noticiou uma série de reuniões dos Amigos de A Plebe que objetivavam ressuscitar este conhecido periódico anarquista. O próprio A Vanguarda, nessa época, estava circulando somente duas vezes por mês. Em dezembro daquele ano A Plebe voltou a circular.

O fim do ano de 1920 e o início de 1921 é marcado pelos desentendimentos entre anarquistas e bolchevistas (comunistas), sendo estes últimos em grande parte ex-anarquistas que aderiram à Revolução Bolchevique ocorrida na Rússia. Astrojildo Pereira, que despontava como líder dos comunistas, atacou duramente os libertários via imprensa, discordando de seus princípios. Não se tratava apenas de uma discussão de diferenças ideológicas, mas de uma reavaliação de postura e identificação políticas. Durante o ano de 1921 houve uma trégua entre os grupos, quebrada no início de 1922 pelo jornal carioca Movimento Comunista, que se nomeava porta-voz do grupo comunista/bolchevista.

Diante dos debates e das provocações, os anarquistas se pronunciaram e publicaram no dia 18 de março de 1922, no jornal A Plebe, um Manifesto contendo suas posições e negando qualquer possibilidade de revisão de seus princípios e postura política. Nos dias 25, 26 e 27 do corrente, era fundado no Rio de Janeiro o Partido Comunista, Seção Brasileira da Internacional Comunista. Neste ano, houve acirramento das discussões entre os dois grupos, os comunistas almejavam atrair para si o apoio dos operários, historicamente conquistados pelos anarquistas. Assim, Leuenroth teve várias vezes sua imagem pessoal atacada na imprensa comunista por Astrojildo Pereira, ex-anarquista.

No dia 30 de dezembro, em uma festa organizada com a finalidade de angariar fundos para o jornal A Plebe, Ricardo Cípolla, jovem discípulo de Leuenroth, foi assassinado por um outro anarquista, ex-policial, Indalécio Iglésias. A imprensa, contrária aos anarquistas, aproveitou para fazer estardalhaço contra os representantes do movimento. Enquanto isso A Plebe lutava para que em suas páginas as pessoas tivessem todas as informações relativas ao caso.

Em fins de janeiro de 1923 ainda abatido com os acontecimentos, Leuenroth viu-se atacado por Astrojildo Pereira nas páginas do A Nação. Aproveitando-se de uma falha ocorrida em uma informação dada pelo A Plebe, Astrojildo tentou golpear os anarquistas dentro do próprio movimento operário que ajudaram a criar. Pessoalmente atingido, Leuenroth afastou-se do movimento e da direção do jornal, alegando problemas de saúde. No final deste mesmo ano, retornou à militância e às colunas dos jornais. Entre 1924 e 1935 foi redator-secretário do Romance Jornal; no ano de 1927 colaborou com o jornal clandestino A Liberdade; no ano de 1935 colaborou com o Ecla, Serviço de Notícias, e entre 1936 e 1938 foi redator-secretário do periódico paulista Jornal dos Jornaes, publicações da Eclectica.

Participou do Congresso Mundial de Jornalismo no ano de 1926, realizado em Washington. Na época, Leuenroth trabalhava na Eclectica e foi encarregado por essa empresa de organizar uma exposição retrospectiva da História do Jornalismo no Brasil. Sofreu novas e amargas críticas do Partido Comunista; acusaram-no de se vender aos interesses do capitalismo mundial. Leuenroth defendeu-se respondendo que sua ida aos Estados Unidos fora designação da empresa que trabalhava e não militância política.

No ano de 1927 o jornal A Nação, em artigo de Astrojildo Pereira declarou O anarchismo está morto! Os comunistas começavam a ganhar apoio dos operários, mediante o enfraquecimento do anarquismo e o sucesso da Revolução Socialista Russa, que à época, apresentava-se como uma proposta viável de superação do capitalismo. Por ser um período pré-revolucionário, os anarquistas continuaram com sua militância e lutando pelos direitos das classes trabalhadoras. Apesar de todos os desentendimentos entre anarquistas e socialistas, uniram-se para lutar contra o surgimento do fascismo.

Estabelecida a Revolução de 1930, o Estado passou a fazer uma vigilância cerrada sobre todos os movimentos políticos da sociedade. Logo decretou a ilegalidade do PCB e de outros grupos que não eram favoráveis ao regime Vargas. No ano de 1933, Leuenroth participou da criação do Centro de Cultura Social, vinculado ao movimento anarquista; que pouco tempo depois teve suas atividades paralisadas(9). De 1937 a 1945 os militantes praticamente silenciaram, em parte devido à política trabalhista de Vargas que aliciava seu poder da própria classe trabalhadora e em parte devido à perseguição do novo regime.

Apesar das dificuldades, Leuenroth não abandonou a luta. Concentrou seus esforços no sindicalismo, onde atuou desde 1903. Participou ativamente da fundação da Associação Paulista de Imprensa no ano de 1933, reunindo logo no primeiro ano de fundação 471 sócios. Sempre modesto, relatava a sua participação na fundação da entidade como um funcionário cedido pela Eclética para compor os trabalhos iniciais(10). À época, participou do Primeiro Congresso de Imprensa do Estado de São Paulo, onde seria criada oficialmente a API(11). Dez anos mais tarde, candidataria-se a vice-presidência da API. Em 1934 Edgard Leuenroth foi escolhido para ser um dos diretores provisórios do Sindicato dos Profissionais de Imprensa do Rio de Janeiro.

Em 1944 fundou a Nossa Chácara. Este projeto objetivava manter e veicular o pensamento anarquista através de reuniões dominicais numa chácara adquirida pelo esforço conjunto dos operários anarquistas paulistas. Nesta época, era colaborador do periódico A Noite.

Após o fim da Era Vargas, respirando os novos ares de liberdade, Leuenroth e os anarquistas não perderam tempo. Sob o pseudônimo Frederico Brito, Edgard Leuenroth apresentou extensa pesquisa, em 1947, sobre a imprensa no Estado de São Paulo ao Departamento Estadual de Informações, que promovia um concurso sobre o tema(12). Os anarquistas realizaram ainda o Congresso Anarquista de São Paulo, ocorrido nos dias 17, 18 e 19 de dezembro do ano seguinte; à época considerado uma das primeiras tentativas de reavivar o movimento anárquico. A este, seguiu-se o Congresso Anarquista Nacional realizado no Rio de Janeiro, em 1953 e a Conferência Libertária Nacional, no ano de 1959, em São Paulo.

Em todos estes anos de militância no anarco-sindicalismo, Leuenroth destacou-se também por um profundo interesse de preservação da documentação relativa à história do movimento operário, fazendo parte do seu currículo profissional os cargos de arquivista e bibliotecário, que segundo os testemunhos de seus amigos, era um notável organizador(13). Talvez por isso, em 1953, no Quinto Congresso Nacional de Jornalistas, ocorrido em Curitiba, além de participar da redação Carta dos Jornalistas, foi nomeado presidente da Comissão de História da Imprensa. Com 77 anos de idade colaborou na organização da exposição nacional do Primeiro Centenário da Imprensa de Campinas. Neste mesmo ano, 1958, participou do Encontro Libertário ocorrido no Rio de Janeiro, e a convite do Ação Libertária, aceitou assumir a direção do jornal, em virtude do falecimento de seu amigo José Oiticica. Este periódico passou a ser impresso em São Paulo. Concomitantemente, colaborou com o Ação Direta.

Nos últimos anos de sua vida, dedicou-se ao trabalho de arquivista na sede paulista da Standard Propaganda, empresa que pertencia à seu irmão mais novo e sobrinho, com sede no Rio de Janeiro. Já havia trabalhado nos arquivos do Jornal de São Paulo, Folha de S. Paulo, Última Hora e O Globo nos anos 50.

Apesar dos incessantes esforços de Leuenroth, esse que foi cognominado o gentleman anarquista, o movimento libertário estava em franco declínio desde os anos trinta e, de certa forma, o Partido Comunista, na ocasião em ascensão, tornou-se um dos focos de resistência à ditadura militar.

Descrito sempre como bem disposto, jovial, organizado e diligente, Leuenroth morreu em 1968, aos 87 anos de existência; depois de breve enfermidade, descobriu que tinha câncer hepático(14).

Hoje, a documentação reunida por este importante militante anarquista encontra-se no Arquivo Edgard Leuenroth - Centro de Pesquisa e Documentação Social, que leva o seu nome. Fundado em 1974, o Arquivo Edgard Leuenroth à época, propunha-se a preservar e divulgar a memória operária do Brasil Republicano.

(Pesquisa realizada por Luiz Antonio Vadico em maio de 1996. Revisão realizada por Silvia Rosana Modena Martini, Seção de Pesquisa do Arquivo Edgard Leuenroth
do Centro de Pesquisa e Documentação Social do
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas
, em dezembro de 2000 e novembro de 2001).

O Jornalista Edgard Leuenroth (1881-1968), fundador da Faibra-Fenai - Federação das Associações de Imprena do Brasil / Federação Nacional da Imprensa

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1 Na bibliografia consultada, existe controvérsias a respeito da profissão de Waldemar Eugenio Leuenroth. Ver Dulles, Anarquistas e Comunistas no Brasil e Rodrigues, Os Companheiros.
De acordo com a documentação cedida pela Família Leuenroth, o pai era médico e possuía, junto com os irmãos, uma farmácia em Mogi Guaçu.
2 Amélia de Oliveira Brito Leuenroth pertencia a família do Visconde de Rio Claro.
3 Há divergências sobre o período de atuação de Edgard Leuenroth como diretor do Jornal A Lanterna. Nobre, In: Leuenroth – personagem da história, adota as datas limítrofes de 1906 a 1909; Rodrigues, In: Os Companheiros, de 1909 a 1915 e Sangirardi Jr., In: Edgard Leuenroth: o gentleman anarquista, adota o ano de 1912 como o período inicial de sua atividade neste periódico. Possivelmente, tal confusão advenha da informação de que Edgard Leuenroth colaborou neste jornal em dois períodos distintos.
4 Edgar Rodrigues informa a existência de um folheto O Caso Idalina escrito por Edgard Leuenroth, que conta esta história.
5 Observações extraídas de sua ficha policial.
6 Sangirardi Jr., op. cit.
7 É importante não confundir este partido comunista com o posterior, criado em 1922; este, segundo Dulles, era um partido de tendência anarquista. Explica-se o fato de que os anarquistas participaram da criação de um partido, contra todas as suas convicções, pelo grande entusiasmo que a revolução bolchevique causou, e pela falta de informação que reinava sobre o que estava acontecendo na Rússia. Logo no entanto, na U. R. S. S., começou o expurgo dos anarquistas que participaram do movimento, e este processo refletiu negativamente aqui no Brasil, iniciando a ruptura entre anarquistas e socialistas de tendência bolchevique.
8 Apesar das constantes interrupções na periodicidade do A Plebe, Edgard Leuenroth deixou de publicar este periódico somente em 1949.
9 Terminado o período do Estado Novo, o Centro de Cultura Social foi caracterizado por intensa atividade até o ano de 1968, quando voltou a sofrer interferência do Estado.
10 “(...) o certo é que os trabalhos iniciais para a fundação da API foram levadas à cabo na sede da empresa de publicidade Eclética, então à rua Três de Setembro, 48. Os diretores da empresa, Eugênio Leuenroth e Júlio Cosi, cederam a sede, ofereceram material e funcionários para a execução dos trabalhos, entre os quais o Sr. Edgard Leuenroth, que foi o secretário executivo da Comissão Provisória.” In: A Organização dos Jornalistas Brasileiros, p. 114.
11 Outros congressos em que Edgard Leuenroth participou no exercício de sua profissão, entre as décadas de 1900 a 1950: I Congresso Brasileiro de Jornalistas, RJ, 1908; I Congresso de Jornalistas, RJ, 1918; I Congresso Pan-americano de Jornalistas, Washington, D.C., 1926; I Congresso Paulista de Imprensa, SP, 1933; I Congresso Nacional de Jornalistas, RJ, 1934; I Congresso Nacional de Periodistas, RJ, 1938; I Congresso dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, SP, 1942; IV Congresso Nacional de Jornalistas, 1951; V Congresso Nacional de Jornalistas, 1954; VII Congresso Nacional de Jornalistas, 1957; I Congresso da Imprensa do Interior do Estado de São Paulo, SP; I Congresso Nacional de Jornalistas, II Congresso Nacional de Jornalistas.
12 Leuenroth participou da imprensa operária e anarquista sob diversos pseudônimos: Frederico Brito, Routh, Palmiro Leal, Len, Leão Vermelho, Sifleur, entre outros.
13 Freitas Nobre relata que era proverbial a ordem e o desejo de organização de Edgard. Conta que nas reuniões anarquistas os seus companheiros limpavam os cinzeiros e organizavam a sala antes dele chegar, para que não houvesse “problemas”. In: Nobre, op. cit., p. 19
14 “Ardoroso combatente e trabalhador infatigável, Edgard Leuenroth adoeceu gravemente aos 87 anos. Queixava-se do fígado e foi vê-lo o clínico e amigo Eduardo Maffei, um destacado militante comunista. Seria uma hepatite? Não era. Maffei examinou-o detidamente, constatou câncer, um câncer hepático e disse-lhe francamente que deveria tomar as medidas urgentes e necessárias, pois tinha apenas uns quinze dias de vida. A pedido de Edgard, foi feito então o seguinte: Maffei disse toda a verdade à família, mas mentiu que o doente ignorava a gravidade do seu estado. Desprendido até para morrer”, Sangirardi Jr.

O fundador da Faibra-Fenai, Jornalista Edgard Leuenroth (1881-1968), na Década de 1950

 

 

 

O fundador da Faibra-Fenai, Jornalista Edgard Leuenroth (1881-1968), em 1960.

 

O fundador da Faibra-Fenai, Jornalista Edgard Leuenroth (1881-1968) na senior idade.  

 

 

 

    

 

 

 

 

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