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É preciso ser
diplomado para garantir ética no jornalismo?
Heitor Reis [*]
"É preciso ser diplomado: Formação e regulamentação são
instrumentos de defesa do Jornalismo e da sociedade - Somos mais de 60 mil jornalistas em todo o Brasil. Milhares de
profissionais que somente através da formação, da
regulamentação, da valorização profissional conseguirão garantir
dignidade para sua profissão e qualidade, interesse público,
responsabilidade e ética para o Jornalismo praticado hoje no
Brasil." [ Sérgio
Murillo de Andrade e Valci Zuculoto, Jornalistas, Professores,
Presidente e Diretora de Educação da FENAJ, respectivamente:
http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=2317 ]
Minhas reflexões sobre este tema não tem o propósito percebido
pelos mais ansiosos, rançosos e menos profundos na arte de
interpretação de texto. Como se eu estivesse tomando uma posição
contrária ao interesse dos comunicadores ou do público!... Minha
esperança é que homens e mulheres de boa vontade têm a
sensibilidade necessária para perceber meu real propósito de
mostrar a verdade à respeito.
Creio que, sem coragem para enfrentar esta triste e cruel
realidade, o ideal teoricamente pregado acima, jamais ocorrerá,
de fato. É muito difícil, para a maioria, mesmo conceitualmente,
separar o jornalismo da imprensa mercenária, corrupta,
irresponsável e maligna. São como gêmeos siameses! [ A
malignidade intrínseca da mídia capitalista -
www.midiaindependente.org/pt/red/2006/11/367238.shtml ]
Mas, somente cortando na própria carne...
"... o jornalismo poderá se libertar do seu pior inimigo: a
Imprensa, tal como ela existe hoje." [
"Significado político da manipulação na grande imprensa", Perseu
Abramo:
www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=55 ]
A Fenaj - Federação Nacional dos Jornalistas, Intercom -
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da
Comunicação e o FNPJ - Fórum Nacional dos Professores de
Jornalismo fogem, como o diabo, da cruz, e não enfrentam a
impotência da categoria diante do poder do patrão que anula
qualquer princípio ético que um jornalista queira aplicar em seu
local de trabalho, quando conflita com a voracidade pelo lucro a
qualquer custo, por parte da empresa de comunicação, de seus
anunciantes ou do interesse político-partidário.
Também não estão interessados em demonstrar a razão pela qual os
países mais evoluídos liberam o profissional do uso do diploma,
enquanto os mais atrasados o obrigam. Nem qual a característica
regional do Brasil que justificaria a adoção de sua
obrigatoriedade. Não respondem a uma questão fundamental: O
jornalismo de países que exigem o diploma é igual, pior ou
melhor do que nos demais?
Alguma vez ficou demonstrado cabalmente que, nos países onde o
diploma não é exigido, a dignidade desta profissão ficou
prejudicada? Ou seus rendimentos? Ou a qualidade e a ética no
exercício da atividade? Caso isto fique provado, serei o mais
renitente defensor da obrigatoriedade do diploma de jornalismo!
Não sei se os professores, os líderes ou a parcela da categoria
que luta pela obrigatoriedade, e que tem por dever do ofício
transmitir a melhor verdade possível para seus semelhantes são
ingênuos, ignorantes, loucos ou se estão hipnotizados, a tal
ponto de acreditar piamente que a ilusão é realidade. Mas há uma
alternativa ainda pior: consciência e lucidez de que estão
defendendo deliberadamente uma mentira!
Revogação da Lei de Imprensa contraria Fenaj
Para Sérgio Murillo, presidente da entidade, a expectativa era
de que o julgamento retirasse apenas os artigos que ferissem a
Constituição Federal. Segundo ele, a matéria, apesar de
permanecer em vigor há mais de 40 anos, ainda estabeleceria
alguns dispositivos necessários ao exercício do Jornalismo, como
a possibilidade de fontes denunciadas em reportagens obterem
direito de resposta nos veículos. [
www.pqn.com.br/portal_pqn2/index.php?option=com_content&task=view&id=4420&Itemid=43
]
Os jornalistas perderam recentemente a Lei de Imprensa, parte da
qual defenderam com unhas e dentes, pouco se lascando se ela
fora imposta através de uma ditadura que usurpou o poder de
forma brutal, depondo um Presidente da República, legitimamente
eleito, censurando a mídia, perseguindo, torturando milhares e
assassinando centenas de brasileiros. Multiplicaram
astronomicamente nossa dívida externa e a inflação monetária,
bem como reduziram dramaticamente o valor do salário-mínimo.
O mesmo vale para a lei da obrigatoriedade do diploma, imposta
também ditatorialmente pelos terroristas que assumiram o Estado
em 1964 e que será julgada no STF, em breve.
Seja qual for o resultado, defendo intransigentemente que
qualquer lei feita por um governo que usurpou o poder de forma
ilegal deve ser anulada automaticamente, por melhor que fosse, e
substituída por outra, caso necessário, por um poder
legitimamente estabelecido. Se, num julgamento qualquer, uma
prova obtida de forma inadequada perde automaticamente seu
valor, por que uma lei feita despoticamente deve ser mantida?
Os jornalistas fazem o jogo do patrão, ao se omitirem na
denúncia de que são escravizados na função de manipuladores da
informação, cuja rebeldia e prática da ética profissional
(princípios deontológicos) pode lhes trazer o desconfortável
sabor do desemprego e outros prejuizos. Nossa conservadora
sociedade, composta por 74 % de analfabetos e semi-analfabetos
deseja jornalistas diplomados para enganá-la diariamente,
incapaz de perceber a realidade mais profunda que se esconde por
detrás de uma pesquisa de opinião convenientemente limitada,
feita pela Fenaj. [ http://pt.wikipedia.org/wiki/Deontologia ]
Em síntese: Na prática, não há ética no jornalismo, em função da
hegemonia da ética da empresa jornalística, voltada
prioritariamente para os interesses particulares e não para o
interesse público, teoricamente mencionado no texto em epígrafe.
Idem para os profissionais que se prestam a fazer o serviço mais
subalterno nesta modalidade de crime legalmente organizado.
Perseu Abramo considera a manipulação realizada pelos
jornalistas para atender seus patrões, como inimizade contra o
povo brasileiro.
"Os estudos do professor Perseu Abramo... situam o jornalismo
praticado pelo mercado como um instrumento de controle político
das elites, contrário aos interesses maiores do povo
brasileiro." (Hamilton
Octávio Souza, em Padrões de manipulação na grande imprensa, de
Perseu Abramo, pág. 17, da Editora da Fundação Perseu Abramo)
Mas, mesmo assim, a Fenaj, Intercom e FNPJ estão unidas na
pregação de que a obrigatoriedade do diploma é relevante para
"garantir dignidade para sua profissão e qualidade, interesse
público, responsabilidade e ética para o Jornalismo praticado
hoje no Brasil".
Vejamos como Antonio Gramsci percebe o Estado, a escola e a
imprensa, na formação do consentimento público para impor à
sociedade os interesses da classe dominante:
"Além dos aparelhos coercitivos do Estado, a burguesia
precisa obter o consentimento dos governados, para se garantir
como hegemônica. E a formação do consenso dependeria da
educação. Daí, a ampliação sem precedentes dos mais
diversificados meios de educação, desde a escola, um dos
principais deles, até a imprensa e o rádio (Gramsci não conheceu
a televisão)." [
"Um caderno de estudos sobre Gramsci", Maria do Carmo de
Oliveira Vargas:
http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=984 ]
Desta forma, com raras exceções, os que atuam no sistema
educacional, na comunicação ou em ambos, consciente ou
alienadamente, reproduzem o pensamento que convém a quem estiver
no poder.
As exceções, certamente, não terão as benesses que receberão
aqueles que fazem bem o trabalho a eles designados de inseminar
conceitos convenientes ao sistema, nas mentes receptivas da
juventude e do público em geral. Alguns são perseguidos,
prejudicados de várias formas e podem pagar com própria vida a
ousadia de fugir da matriz do pensamento único. [ Ver "Matrix",
o filme, e "Trabalhar na Globo é crime":
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=453TVQ004
]
Perseu Abramo considera a imprensa como o pior inimigo do
verdadeiro jornalismo. Infelizmente, é o jornalista quem faz o
trabalho fundamental para que seja assim:
"As classes dominadas, portanto, tenderão a lutar pela
transformação dos órgãos privados e estatais em órgãos públicos,
sob formas e mecanismos que evidentemente ainda estão por serem
engendrados e desenvolvidos. E finalmente, então, o jornalismo
poderá se libertar do seu pior inimigo: a Imprensa, tal como ela
existe hoje." [ "Significado político da manipulação na grande
imprensa", Perseu Abramo:
http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=55
]
Portanto, o jornalista, quando a serviço de uma empresa
capitalista ou os professores do sistema de ensino imposto à
estes profissionais ou à população em geral, tem um papel
fundamental na dominação da Sociedade, para seu convencimento,
fazendo-a aceitar passivamente a exploração que sofre por parte
do empresariado que privatizou o "Estado oligárquico e
autoritário, o qual precisa urgentemente ser democratizado"
(Marilena Chauí).
Podemos, então, compreender melhor o valor de uma afirmação do
Lalo (ECA-USP) sobre as conquistas pífias realizadas neste
setor, para benefício da maioria, em matéria recente
(11/06/2009) sobre o sítio da Petrobrás ("blog"). Coisa, aliás,
que dificilmente mudará, nesta 1a. Confecom - Conferência
Nacional de Comunicação, pelo mesmo motivo: [
www.proconferencia.org.br ]
"No Brasil, o primeiro movimento mais articulado visando a
democratização da comunicação ocorreu 1983, numa iniciativa de
um grupo de professores do curso de comunicação social da
Universidade Federal de Santa Catarina. Eles lançaram a Frente
Nacional de Lutas por Políticas Democráticas de Comunicação,
incorporada posteriormente pela Abepec (Associação Brasileira de
Ensino e Pesquisa em Comunicação) e pela Fenaj (Federação
Nacional dos Jornalistas). De prático esses movimentos pouco
conquistaram. A lógica do capital, concentrando cada vez mais o
mercado produtor e distribuidor de informações, combinada com a
política de enfraquecimento dos estados nacionais, sepultou as
esperanças de uma circulação de informações mais equilibrada
pelo mundo." [
www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4370
]
Felizmente, a rede mundial de computadores vem reduzindo este
desastre, aumentando exponencialmente o número de privilegiados
que podem acessá-la, insinuando que a próxima revolução política
terá forte componente cibernético. Isto até que senhores do
Estado aprovem leis como o chamado AI-5 Digital, de autoria do
corrupto senador mineiro Eduardo Azeredo. Ou mesmo sem ela, quem
escrever um artigo como este será sequestrado, torturado,
assassinado e jogado em alto mar. [ www.AI-5Digital.blogspot.com
]
Mais detalhes em:
A sociedade quer informação com ética e qualidade?http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=529DAC001
Diploma impede o empresário de dominar sobre a consciência do
jornalista: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=54DAC007
Liberdade de imprensa para quem?:http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=491FDS008
Trabalhar na Globo é crime:www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=453TVQ004
Rádios "piratas": o que a Band esconde?:www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=472IPB001
Prenstituição: [
www.cbj.g12.br/~borges/base2003/mod_doc.php?id=0160 ]
O Ditador das Gerais:www.midiaindependente.org/pt/red/2006/09/359478.shtml
Liberdade, essa palavra: www.youtube.com/watch?v=R4oKrj1R91g
“Gagged in Brazil” - Censura na Imprensa: www.youtube.com/watch?v=UqEimwCupsQ
Midiatrix: http://www.youtube.com/watch?v=1V1yUcVLN3g
[*] Heitor Reis é
Engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da
comunicação e em defesa dos Direitos Humanos, membro do Conselho
Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida
(www.cmqv.org).
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